domingo, 21 de dezembro de 2008

21. Sem nome

Seres humanos, seres errantes. A vida é como é, mas por vezes um simples raio de sol nos pode tapar a visão e levar-nos a tomar decisões erradas. Porque acreditamos que os sorrisos também são para nós, que nos cabem nos lábios, mas que afinal não são mais do que montagens feitas na imaginação que nos foi concedida – que destrói momentos bons, corrói almas e corrompe o mundo.

Os esforços não cessam para algo melhor, algo com que todos sonhamos, mas os fracassos não são menos e as desilusões vêm agarradas. Injusto o mundo, dizem alguns – não os posso condenar visto já ter partilhado de tal opinião. Mas pensando um pouco mais chego a uma conclusão: para ser injusto tem de fazer sentido, tem de ser algo completo, um sistema, um todo, tem de ser algo – o que, na minha opinião, não o é. É qualquer coisa sem sentido, qualquer coisa que existe, que enche este universo, que não se rege pela ordem ou pelo bem. Deixa-se corromper por mafiosos que existem e oprimem quem tenta viver. Há regras sem punições, ordens desordenadas, céus em chamas, corações partidos.

Cheguei a pensar que seria bonito contemplar este mundo e a sua beleza. Qual ilusão não foi a minha ao pensar isto! Um acto inocente, mas que visto de perto acaba com muitas esperanças. Feito, já nada mais há a fazer. Assim acontece sempre, quer queiramos quer não. Há, portanto, que aceitar.

No vazio se afirma este mundo, que pouco mais tem que a ele próprio e que os seus esquemas descabidos onde só cabe quem não tem valores. Desses não tenho inveja, e pena não mais tenho. Mostro-me hoje indiferente ao mundo que sempre julguei habitar, mas que afinal me obrigava a suster de pé para nele poder existir. A diferença entre isto e viver é enorme; nem sei se alguma vez a vida irá reinar neste planeta. Tanto ódio e inveja, que nem para a tristeza há lugar.

Digo isto e respondem-me: Não gostas, não comes!
Bem sei, mas as coisas não são assim tão simples. Gostava de me mostrar indiferente e de me destacar por ser um igual aos outros. Mas tal não me é permitido e portanto resta-me ceder ao ciclo e girar com ele.


Perguntam-me agora: Moral da história?
E eu respondo: Como vos disse, neste mundo nada faz sentido…

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